terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pearl Jam - RESENHA por Léo Melo

Seis anos depois, Pearl Jam repete catarse coletiva na Apoteose

Dia 4 de dezembro de 2005. Naquela data, o Pearl Jam fazia sua primeira apresentação no Rio de Janeiro. Devido a outro show no mesmo dia, descartei o concerto da banda de Seattle, mas soube depois, por meio de amigos presentes à Praça da Apoteose, que o mesmo tinha sido histórico, sensacional, espetacular, entre outros adjetivos. Resenhas da imprensa na época chegaram a compará-lo a um culto, tamanha a catarse coletiva.

Quase seis anos depois, no último domingo, 6 de novembro de 2011, pude finalmente constatar in loco que aqueles elogios não foram exagerados. Sob o comando do carismático Eddie Vedder, o conjunto norte-americano fez um espetáculo irrepreensível diante de 35 mil pessoas que lotaram a pista e as arquibancadas da mesma Apoteose. Era possível ver muitos fãs com camisas do grupo, vendidas nos estandes de merchandising a exorbitantes 80 paus, ou com as tradicionais camisas xadrez (de flanela ou não), que virou marca registrada do movimento grunge.

Ao lado dos competentes Stone Gossard, Mike McCready (guitarras), Jeff Ament (baixo), Matt Cameron (bateria) e Boom Gaspar (teclados), Vedder soltou o vozeirão (em plena forma) por 2h40 em um total de 30 músicas. O show, que teve cara de Best of dos 20 anos de carreira do grupo celebrados agora em 2011, começou às 20h32, com “Unthought Known”, do mais recente disco de estúdio, Backspacer (2009), após uma energética apresentação da veterana banda de punk rock X.

Em seguida, o Pear Jam voltou no tempo com várias músicas da década de 1990, incluindo “Last Exit”, “Corduroy” e “Nothingman” (do álbum Vitalogy, 1994); “Blood” (Vs., 1993); além de “Given To Fly” e “Faithfull” (Yield, 1998). No entanto, foi na hora de “Even Flow”, primeira das cinco faixas tocadas do aclamado trabalho de estreia Ten (1991), que a Apoteose tremeu. Rodas de pogo abriram na pista e, lembrando o vídeoclipe, fãs eram conduzidos de mão em mão pela plateia. Delírio total. Só faltou mesmo Vedder dar um mosh sobre a galera.

O vocalista, que também tocou guitarra em muitos momentos, procurou retribuir a vibração da massa. Auxiliado por uma cola com frases em português, o músico tentou comunicar-se com a plateia entre uma música e outra. Elogiou as belezas naturais da cidade, o público carioca e arrancou aplausos até quando escorregou em nosso idioma. Vedder ainda jogou baquetas e pandeiros; exibiu uma camisa da seleção brasileira que ganhou com o seu nome; deu sua garrafa de vinho a um fã da fila do gargarejo; e, no fim, deixou o palco com a bandeira do Brasil nas costas.

Ainda na primeira parte do show, “The Fixer” e “Got Some”, do último álbum, dividiram o setlist com clássicos como “Habit” (No Code, 1996), “Immortality” (Vitalogy) e “Why Go” (Ten). Após um breve intervalo, a banda voltou para dois (longos) bis, com sete músicas cada. No primeiro deles, um dos destaques foi a homenagem de Vedder ao falecido amigo Johhny Ramone, para quem dedicou “Come Back” (Pearl Jam, 2006), seguida de “I Believe in Miracles”, cover dos Ramones. No encerramento, o petardo “Do the Evolution” (Yield) e o hino “Jeremy” (Ten) também tiveram entusiasmada receptividade do público.

Já o segundo bis começou com uma performance arrasadora de Vedder no cover de “Mother”, do Pink Floyd. Depois, outros três grandes hits prepararam o público para a matadora sequência final da apresentação. “Better Man” (Vitalogy) e a dobradinha “Black” e “Alive” (Ten) foram de arrepiar com a emocionante participação da plateia. Houve ainda tempo para o tradicional cover de “Rockin' in the Free World”, de Neil Young, seguido de “Indifference” (V.s) e “Yellow Ledbetter” (Lost Dogs, 2003), que, já com as luzes da Apoteose acesas, fechou a emblemática noite.

Resta torcer para que o Pearl Jam não só complete outros 20 anos em sua bem sucedida trajetória, mas que também retorne outras vezes ao Brasil. E de preferência que não leve mais de cinco anos para desembarcar aqui. Os fãs certamente agradecerão e comparecerão. Com ou sem camisas xadrez.

Setlist

Unthought Known
Last Exit
Blood
Corduroy
Given To Fly
Nothingman
Faithfull
Even Flow
Daughter
Habit
Immortality
The Fixer
Got Some
Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
Why Go
Rearviewmirror

Bis 1:
Just Breathe
Come Back
I Believe In Miracles (Ramones cover)
State of Love And Trust
Of the Earth
Do the Evolution
Jeremy

Bis 2:
Mother (Pink Floyd cover)
Better Man
Black
Alive
Rockin' in the Free World (Neil Young cover)
Indifference
Yellow Ledbetter

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