Roger
Waters e The Wall arrepiam o público carioca
Incrível,
maravilhoso, fantástico, o melhor show de minha vida. Não foram poucas as
manifestações entusiasmadas do público - estimado em 50 mil pessoas - que
deixava as dependências do Estádio João Havelange, o Engenhão, nos primeiros
minutos de sexta-feira (30/3), após a apresentação de Roger Waters, no Rio de
Janeiro. E com razão. O espetáculo The
Wall - Live, comandado pelo ex-baixista do Pink Floyd, é um deleite audiovisual.
Milimetricamente
ensaiado, sem espaço para improvisos, o grandioso show reproduz na íntegra, e
na ordem em que aparecem no disco, as 28 canções do álbum duplo lançado em 1979
pela lendária banda inglesa de rock progressivo. Mas o que leva The Wall - Live a ser tão impactante?
Além de explorar temas áridos como a guerra, o terrorismo de Estado, o
isolamento, a rigidez do sistema educacional, e fazer críticas ao consumismo e
às grandes corporações, o mega concerto conta com um aparato visual e sonoro de
deixar qualquer um de queixo caído.
O
muro, que dá título ao álbum e à turnê, é erguido - e depois destruído - diante
dos olhos atônitos da plateia, no decorrer das 2 horas e 20 minutos de
apresentação (há um intervalo entre os dois sets). A gigantesca estrutura, de 137 metros de largura
por 11 de altura e composta por 424 tijolos, forma um telão de altíssima
definição, onde são projetadas imagens da banda ao vivo, além de grafismos e
animações, como as criadas pelo artista Gerald Scarfe para o filme homônimo de
Alan Parker, em 1982.
Aliado
a tudo isso, o potente e cristalino sistema de áudio quadrafônico, com caixas
distribuídas ao redor do estádio, reproduz efeitos sonoros que incluem barulhos
de aviões, helicópteros, explosões, gritos e rajadas de metralhadoras. Logo de
início, após a execução de "In the Flesh?", a réplica de um avião da
Segunda Guerra Mundial, suspenso por um cabo, cruzou toda a pista até colidir com
o muro, seguido de explosões e fogos de artifício. Delírio geral.
Em
um dos momentos mais esperados e festejados da noite, Waters contou com a participação
de jovens da escola de música da Rocinha, no coral do hino "Another Brick
in the Wall Part 2", vestidos com camisas que traziam a frase "Fear
Builds Wall" ("O medo constrói barreiras"). O número também teve
a presença da gigante e assustadora figura do professor repressor – um dos
bonecos infláveis usados durante o concerto.
Da
mesma forma que nos demais shows da turnê sul-americana, o vocalista e baixista
dedicou a apresentação carioca a Jean Charles de Menezes, assassinado pela
polícia britânica ao ser confundido com um terrorista, em 2005, no metrô de
Londres. A homenagem ao brasileiro, cujo rosto foi exibido no telão circular no
centro do palco, arrancou aplausos nos quatro cantos do estádio.
Com
Waters tocando violão, o clássico "Mother" veio na sequência e
proporcionou o momento, digamos, descontraído da noite. Após o verso
"Mother, should I trust the government?" ("Mãe, eu devo confiar
no governo?"), a expressão "No Fucking Way" ("Nem f*dendo")
surgiu como resposta no telão, levando o público ao delírio. Durante a faixa,
uma boneca inflável, representando a mãe superprotetora da letra, emergiu no lado
esquerdo do palco.
Ainda na primeira etapa do show, outra passagem
marcante foi a projeção de retratos e histórias de vítimas de violência, que transformaram
o muro em um grande memorial. Na volta após o intervalo, "Hey You" retomou
os trabalhos com o paredão já inteiramente de pé entre a plateia e o palco, de
modo que não era mais possível ver - só ouvir - a banda em ação.
Velho
conhecido dos fãs, o porco voador de "In the Flesh", que esteve presente
nas turnês de Waters aqui em 2002 e 2007, deu o ar da graça na metade final do
espetáculo. Pintado com símbolos de protesto, bem como com palavras e
expressões de ordem, o animal inflável planou sobre o público até,
literalmente, cair nos braços da galera que estava na pista.
Na
emocionante interpretação do clássico "Comfortably Numb", Waters ganhou
o reforço de um coral de 50 mil vozes. No topo do muro, o vocalista Robbie
Wyckoff e o guitarrista Dave Kilminster reproduziram, respectivamente, os
vocais e solos de David Gilmour na versão original. De arrepiar. Com seu riff empolgante,
"Run Like Hell" foi acompanhada por palmas, enquanto que a épica "The
Trial", antecedida pela sequência da marcha dos martelos, no telão, serviu de trilha
para a destruição da grande parede.
A
acústica "Outside the wall", com toda a banda perfilada à frente do
muro já posto ao chão, foi o indício de que o espetáculo estava perto do encerramento.
Durante a execução, Waters apresentou cada um dos músicos, que, em seguida,
deixavam o palco sob aplausos. Assim, chegava ao fim um espetáculo sem
precedentes, uma experiência única e inesquecível, que faz jus àquela que é a maior
ópera-rock da história.
Set 1
In the Flesh?
The Thin Ice
Another Brick in the Wall Part
1
The Happiest Days of Our Lives
Another Brick in the Wall Part
2
Mother
Goodbye Blue Sky
Empty Spaces
What Shall We Do Now?
Young Lust
One of My Turns
Don't Leave Me Now
Another Brick in the Wall Part
3
The Last Few Bricks
Goodbye Cruel World
Set 2
Hey You
Is There Anybody Out There?
Nobody Home
Vera
Bring the Boys Back Home
Comfortably Numb
The Show Must Go On
In the Flesh
Run Like Hell
Waiting for the Worms
Stop
The Trial
Outside the Wall
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