sábado, 7 de abril de 2012

Roger Waters - RESENHA por Léo Melo

Roger Waters e The Wall arrepiam o público carioca

Incrível, maravilhoso, fantástico, o melhor show de minha vida. Não foram poucas as manifestações entusiasmadas do público - estimado em 50 mil pessoas - que deixava as dependências do Estádio João Havelange, o Engenhão, nos primeiros minutos de sexta-feira (30/3), após a apresentação de Roger Waters, no Rio de Janeiro. E com razão. O espetáculo The Wall - Live, comandado pelo ex-baixista do Pink Floyd, é um deleite audiovisual.

Milimetricamente ensaiado, sem espaço para improvisos, o grandioso show reproduz na íntegra, e na ordem em que aparecem no disco, as 28 canções do álbum duplo lançado em 1979 pela lendária banda inglesa de rock progressivo. Mas o que leva The Wall - Live a ser tão impactante? Além de explorar temas áridos como a guerra, o terrorismo de Estado, o isolamento, a rigidez do sistema educacional, e fazer críticas ao consumismo e às grandes corporações, o mega concerto conta com um aparato visual e sonoro de deixar qualquer um de queixo caído.

O muro, que dá título ao álbum e à turnê, é erguido - e depois destruído - diante dos olhos atônitos da plateia, no decorrer das 2 horas e 20 minutos de apresentação (há um intervalo entre os dois sets). A gigantesca estrutura, de 137 metros de largura por 11 de altura e composta por 424 tijolos, forma um telão de altíssima definição, onde são projetadas imagens da banda ao vivo, além de grafismos e animações, como as criadas pelo artista Gerald Scarfe para o filme homônimo de Alan Parker, em 1982.

Aliado a tudo isso, o potente e cristalino sistema de áudio quadrafônico, com caixas distribuídas ao redor do estádio, reproduz efeitos sonoros que incluem barulhos de aviões, helicópteros, explosões, gritos e rajadas de metralhadoras. Logo de início, após a execução de "In the Flesh?", a réplica de um avião da Segunda Guerra Mundial, suspenso por um cabo, cruzou toda a pista até colidir com o muro, seguido de explosões e fogos de artifício. Delírio geral.

Em um dos momentos mais esperados e festejados da noite, Waters contou com a participação de jovens da escola de música da Rocinha, no coral do hino "Another Brick in the Wall Part 2", vestidos com camisas que traziam a frase "Fear Builds Wall" ("O medo constrói barreiras"). O número também teve a presença da gigante e assustadora figura do professor repressor – um dos bonecos infláveis usados durante o concerto.

Da mesma forma que nos demais shows da turnê sul-americana, o vocalista e baixista dedicou a apresentação carioca a Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica ao ser confundido com um terrorista, em 2005, no metrô de Londres. A homenagem ao brasileiro, cujo rosto foi exibido no telão circular no centro do palco, arrancou aplausos nos quatro cantos do estádio.

Com Waters tocando violão, o clássico "Mother" veio na sequência e proporcionou o momento, digamos, descontraído da noite. Após o verso "Mother, should I trust the government?" ("Mãe, eu devo confiar no governo?"), a expressão "No Fucking Way" ("Nem f*dendo") surgiu como resposta no telão, levando o público ao delírio. Durante a faixa, uma boneca inflável, representando a mãe superprotetora da letra, emergiu no lado esquerdo do palco.

Ainda na primeira etapa do show, outra passagem marcante foi a projeção de retratos e histórias de vítimas de violência, que transformaram o muro em um grande memorial. Na volta após o intervalo, "Hey You" retomou os trabalhos com o paredão já inteiramente de pé entre a plateia e o palco, de modo que não era mais possível ver - só ouvir - a banda em ação.  

Velho conhecido dos fãs, o porco voador de "In the Flesh", que esteve presente nas turnês de Waters aqui em 2002 e 2007, deu o ar da graça na metade final do espetáculo. Pintado com símbolos de protesto, bem como com palavras e expressões de ordem, o animal inflável planou sobre o público até, literalmente, cair nos braços da galera que estava na pista.  

Na emocionante interpretação do clássico "Comfortably Numb", Waters ganhou o reforço de um coral de 50 mil vozes. No topo do muro, o vocalista Robbie Wyckoff e o guitarrista Dave Kilminster reproduziram, respectivamente, os vocais e solos de David Gilmour na versão original. De arrepiar. Com seu riff empolgante, "Run Like Hell" foi acompanhada por palmas, enquanto que a épica "The Trial", antecedida pela sequência da marcha dos martelos, no telão, serviu de trilha para a destruição da grande parede.      

A acústica "Outside the wall", com toda a banda perfilada à frente do muro já posto ao chão, foi o indício de que o espetáculo estava perto do encerramento. Durante a execução, Waters apresentou cada um dos músicos, que, em seguida, deixavam o palco sob aplausos. Assim, chegava ao fim um espetáculo sem precedentes, uma experiência única e inesquecível, que faz jus àquela que é a maior ópera-rock da história.

Set 1

In the Flesh?
The Thin Ice
Another Brick in the Wall Part 1
The Happiest Days of Our Lives
Another Brick in the Wall Part 2
Mother
Goodbye Blue Sky
Empty Spaces
What Shall We Do Now?
Young Lust
One of My Turns
Don't Leave Me Now
Another Brick in the Wall Part 3
The Last Few Bricks
Goodbye Cruel World

Set 2

Hey You
Is There Anybody Out There?
Nobody Home
Vera
Bring the Boys Back Home
Comfortably Numb
The Show Must Go On
In the Flesh
Run Like Hell
Waiting for the Worms
Stop
The Trial
Outside the Wall

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